Diário de Clown


A 2a parada.

Estacionando o carro entre outros a venda, Dr. Rabisco e Dra Felícia estavam prontos para uma segunda parada do dia...

Entraram na concessionária e logo uma vendedora perguntou: “ Vocês querem falar com o gerente?”

Os Doutores, mais do que depressa disseram: “ Não, queremos um vendedor, viemos para comprar uma ambulância”.

Entre os carros do saguão, veio um vendedor  e perguntou: “ Vocês já foram atendidos?”

E a Dra Felícia disse: “ Ainda não, viemos para comprar uma ambulância, mas achei tão lindo aquele laço encima daquele carro que quero compra-lo. Quanto custa o laço?”

E o vendedor no ato disse: “ Custa 30 mil, e comprando o laço, você ganha o carro”.

A gargalhada toma conta do ambiente fazendo até eco.

Rodeados por vendedores, logo o gerente vem mancando ao encontro dos Doutores e já com um sorriso no rosto, pergunta: “ Tem alguém com problema de saúde aqui?”

Dra Felícia diz: “ Deve ter sim, senão você não viria mancando” e assim, o gerente sentou-se no sofá do saguão e foi submetido aos procedimentos médicos necessários...

A pedido de uma secretária, os Doutores, subiram as escadas e foram na sala do “Chefão” reciosos e cautelosos, entraram e ficaram quietos como se estivessem com medo. Dentro de um vidro, como num aquário, falando ao telefone, lá estava ele, o tão temido....

Como se estivesse espantando moscas, e sentado numa cadeira, ele fez sinal para os doutores entrarem. Mas na dúvida, os Doutores não entraram...

Depois ele o fez novamente... como se estivesse espantando moscas... mas agora ele levantou-se e fez o movimento aos Doutores e foi de encontro até a porta e abriu um sorriso, onde todo o receio foi-se embora depois daquele sorriso aberto e sincero.

O “ Chefão” foi submetido aos procedimentos e questionamentos médicos e também queixou-se de que estava engolindo muito sapo. Feita a cirurgia, Doutores saíram da sala com uma sensação de missão cumprida e bem comprida!

Ao sair da sala, Dra Felícia olhou-se para a parede, onde havia um extintor de incêndio e embaixo dele um quadrado que demarcava o local...

Surtando, Dra começa... “ Ado, a ado, cada um no seu quadrado...”

Da porta da sala, podia-se ver, muitas cabecinhas gargalhando e olhando para a Doutora, que dentro do quadrado do extintor de incêndio, dançava um funk bastante animado...



Escrito por diariodeclown às 16h17
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E os sorrisos continuam....

Desta vez, Dr Rabisco e Doutora Felícia, chegara ao hospital, normalmente... sem precisar subir de ré na contra-mão...

Enquanto Dr arrumava seu jaleco, Dra colocava seu nariz, se arrumando pelo vidro do carro.

Prontos e já conhecidos, perguntaram do Sérgio ( o segurança)

Uma enfermeira o chamou, mas para surpresa dos Doutores, o nome era o mesmo, mas a pessoa era outra... chegaram a conclusão, que todos os seguranças do hospital chamavam-se Sérgio... e perguntaram a ele.. “ Esta tudo Sérgio, Sérgio?”

Dirigindo-se a clínica, os doutores entraram pela porta e lá do meio da ala, ouviram uma voz dizendo: “ Oiiiiiiiiiiiii paiaços!”

Alguns pacientes dormiam, afinal de contas era bem cedo, outros já estavam tomando o lanche...

A bagunça começou por um paciente Palmeirense... e foi se estendendo por toda a clínica... Lá no fundo... distribuindo um panfletinho a todos os pacientes, encontraram um outro paciente, o japonês mineiro.
Dra Felícia, perguntou a alto a ele que até então, não havia visto os Doutores: “Você esta vendendo rifas ou pedindo votos?” e Dr. Rabisco, emendou: “ Ou esta dando os convitinhos da sua festa?” O paciente abriu um sorriso e saiu correndo para abraçar os Doutores.
Fizeram samba para retirar uma pulga que morava atrás da orelha de um dos pacientes e com um ferro na mão, o paciente alisava o jaleco da Dra. Felícia, que verificava que realmente o paciente passava bem.
Flores, cachorrinhos e corações, entre as bolinhas de sabão e os sorrisos de pacientes e enfermeiras, rodeavam aquele lugar, onde o lema era sorrir para sarar.



Escrito por diariodeclown às 16h15
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A grande estréia...

O frio na barriga era inevitável para esses dois médicos recém formados em Besteirologia.

Por volta do almoço, chegando na contra-mão, porém de ré ( pois de ré naquela subida não era contra-mão..rs) da entrada de internação, dirigindo-se a recepção do hospital, encontraram um pouco aflitos, os visitantes que ali estavam para saber dos seus entes queridos...

A bagunça tomou conta e o ambiente se transformou, quando o Dr. Rabisco e Dra. Felícia encontraram com o segurança do local.
Pedindo pelo “ Mac Lanche feliz” Dra Felícia, exigia o brinquedo que viria no lanche.. enquanto Dr. Rabisco, observava atentamente ao atraso do “filme” que deveria estar passando naquela sala de cinema... cinema?? “Não!!!”... uma senhora sentada no canto disse, “ Aqui é a sala de espera do hospital..”

Abismada Dra Felícia disse que não sabia... Em outra cadeira,  uma outra senhora lia um livro, e a Dra pediu para que a senhora lesse um trecho do livro... a Senhora o fez... todos na sala de espera, prestaram atenção.

De repente, ouve-se uma voz, que vinha de uma janelinha pequena no canto da sala...

“ Vocês podem entrar”... disse Sérgio, o segurança.

Dra Felícia e Dr. Rabisco, já entraram perguntando se estava tudo Sérgio por ali...

Logo a esquerda, na recepção da clínica, estavam as recepcionistas que trataram logo de ir furtando objetos dos Doutores e apresentando a eles todos que ali trabalhavam...

Em frente a porta da clínica, Dr e Dra, olhavam para os pacientes que ali estavam sentados, cada um em sua poltrona, tomando água de coco ( Soro Fisiológico) e Milk Shake de Morango ( Sangue).

Assim que a porta se abriu, o ambiente todo foi transformado, como se num passe de mágica, ou a um passo dos doutores, estivesse um mundo sem dor, sem cansaço e sem tristeza....

Bolinhas de sabão, exames de radio- logia ( com radinho a pilha), entre procedimentos freqüentes médicos, Dr. Rabisco perguntou a um paciente se ele estava engolindo muito sapo... o mesmo se queixou que na vida engoliu muitos.... Preparados para e remoção, começaram a preparar o paciente para a devida cirurgia, onde o sapo, poderia ser extraído, pelo nariz, umbigo ou orelha...

Retirado o sapo, o paciente sorria mas com uma dúvida... não sabia se era sapo, perereca ou rã.

A gargalhada tomou conta do ambiente, rodeado por pacientes, enfermeiros, médicos e recepcionistas, os doutores dançavam e cantavam o funk do sapo. ... “ Sapo, perereca ou rã.. rã... rã... rã.... rã....”
Entusiasmados pelo ritmo da Música, uma das pacientes disse que adorava cantar. Mais do que depressa, Dr. Rabisco pegou sua violinha, afinou as cordas, enquanto isso, Dra Felícia preparava o batuque com frascos de comprimidos e assim, paciente e doutores, fizeram um show e foram aplaudidos por todos!
Corações, balões de cachorros e flores de plásticos, tomaram conta do ambiente e sem que percebessem, estavam todos “contaminados” por um sorriso no rosto.
Numa poltrona, tomando um lanchinho, estava um japonês, que era mineiro ( difícil de acreditar...rs), de um nome engraçado que rendeu muitos trocadilhos.
Ele era tão sorridente que era impossível não sorrir ao lado dele também.

Ensinou uma música japonesa aos doutores e contou piadas.
Lá no fundo, com cara de bravo, um paciente desviava o olhar, como se não fosse permitido ir adiante...
De repente, o Sr, encarou Dra Felícia, como se ela tivesse permissão e logo abaixou a cabeça e desviou o olhar novamente... ela foi chegando de mancinho... e de levinho disse: “oi”..

Ele fez um “oi”, com a cabeça... as palavras custaram a sair da sua boca...
Logo Dr. Rabisco chegou também... disse “oi”...

E ele novamente fez “ oi” com a cabeça abaixou o olhar e não disse mais nada...

O “muro” estava começando a se quebrar...
Dra Felícia, perguntou qual era seu nome... e ele, como se quem não quisesse dizer nada, mostrou um papel do exame, e com o dedo indicador, apontou para o nome dele que estava na folha.

Os Doutores, ainda reciosos, perguntaram se poderiam deixar para ele um coração.

E ele, disse que poderia, mas que ele precisava mesmo era de um rim.

Elo estabelecido... coração feito.... o paciente, que até então, nada dizia, contou a trajetória da sua vida aos Doutores, que ouviram por 25 minutos, em completa nostalgia, alguém que tinha muita experiência de vida.

Satisfeitos, cheios e de alma renovada.... Dr e Dra, terminaram o expediente com a certeza de que sorrir ainda é o melhor remédio. 



Escrito por diariodeclown às 16h13
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